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Investidores voltam a olhar o real estate na América Latina e o Brasil segue no radar
Publicado em 13/Mar/2026
Sem Categoria

Um levantamento da consultoria CBRE mostra esse movimento com clareza: 52% dos investidores pretendem ampliar a alocação em real estate ao longo de 2026, em aportes de até 10% ou acima disso. A pesquisa integra o LATAM Investor Sentiment Survey, que reúne percepções de investidores institucionais, fundos e gestores com atuação na região.

O que está por trás do retorno do capital

O ciclo global de juros altos, nos últimos anos, levou muitos fundos a priorizarem mercados considerados “centrais”, como EUA e Europa. Agora, com a normalização gradual do cenário macro e a perspectiva de taxas menos restritivas, cresce a busca por diversificação e emergentes voltam para o mapa.

A lógica é simples: quando o custo do dinheiro começa a ceder, ativos reais (como imóveis) tendem a recuperar atratividade, seja por renda recorrente, seja por reposicionamento de preço, sempre com um olhar mais seletivo e disciplinado. Essa é a palavra-chave do ciclo: capital volta, mas com critério.

Quais setores lideram a preferência dos investidores

A pesquisa da CBRE indica uma liderança clara do segmento logístico e industrial, apontado como principal destino de capital por 40,82% dos entrevistados. A explicação está no fortalecimento do e-commerce e na demanda por estruturas bem localizadas incluindo galpões “last mile”, próximos aos grandes centros urbanos.

Na sequência aparece o multifamily (edifícios residenciais inteiros voltados exclusivamente à locação), citado por 22,45% dos investidores. Embora mais consolidado em mercados como EUA, México e Chile, o modelo vem ganhando leitura positiva por sua resiliência, especialmente em períodos de instabilidade econômica.

Os escritórios aparecem como terceira preferência, com 18,37% das respostas um sinal de retomada gradual após o choque da pandemia, principalmente em praças com dinâmica corporativa ativa.

São Paulo puxa atenção no Brasil

Dentro do Brasil, São Paulo e sua região metropolitana seguem como âncora natural para o capital, por concentração econômica, profundidade de mercado e diversidade de ativos. Segundo a pesquisa repercutida pela Forbes, há uma forte concentração regional, com São Paulo recebendo a maior fatia prevista no país.

Isso se conecta com um fenômeno recorrente em ciclos de retomada: investidores voltam primeiro para os mercados mais líquidos e com histórico de performance, antes de “abrir o mapa” para praças secundárias.

Nichos em alta: hotelaria e data centers

Além dos segmentos tradicionais, dois nichos aparecem com mais frequência nas estratégias: hotelaria e data centers. A própria leitura do mercado aponta crescimento nesses pilares, impulsionados pela retomada de demanda em destinos com turismo e negócios, e pela expansão da economia digital (no caso de data centers, com atenção à infraestrutura e disponibilidade energética).

Aqui existe um ponto particularmente relevante para o investidor que olha para renda: quando o ciclo volta a privilegiar ativos com demanda estrutural, os segmentos ligados a serviços (como hospitalidade) tendem a ganhar espaço desde que operados com padrão, gestão e previsibilidade.

O que isso sinaliza para quem investe em imóveis

Esse retorno do interesse não significa “boom imediato”. O próprio movimento tende a ser gradual, porque muitos grandes fundos ainda mantêm uma exposição relativamente pequena à América Latina dentro do portfólio total. Ainda assim, mesmo pequenas realocações podem gerar impacto visível em mercados locais.

Para o investidor individual, a mensagem principal é: o ciclo está mudando e o mercado está ficando mais sofisticado. Em vez de decisões baseadas em manchetes, faz mais sentido acompanhar:

  • dinâmica de juros e crédito

  • setores com demanda resiliente

  • regiões com liquidez e ocupação

  • qualidade de ativos e gestão (principalmente em segmentos de hospitalidade)

Conclusão

Se o capital global volta a olhar para o real estate latino-americano, o Brasil permanece como uma das principais referências com São Paulo no centro desse radar. O ciclo favorece quem entende o movimento macro, identifica os setores com fundamentos e toma decisões com visão de longo prazo.

Na Prime Flats, acompanhamos esses sinais do mercado e ajudamos clientes a entenderem onde estão as dinâmicas mais consistentes de locação e investimento, especialmente em regiões estratégicas e ativos conectados ao estilo de vida urbano e à demanda por serviços.

 

 

Por Jorge Urdaneta – Analista de Marketing.