Mesmo em um ambiente de juros elevados ao longo de 2025, o mercado imobiliário brasileiro fechou o ano com marcas históricas em lançamentos e vendas um sinal de que a demanda por moradia continua forte e, em grande parte, estrutural.
Os números foram divulgados na pesquisa Indicadores Imobiliários Nacionais (4º trimestre de 2025), da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), que consolidou um retrato de aquecimento do setor em diferentes regiões do país. A entidade destaca que a procura se manteve firme ao longo do ano, mesmo com crédito mais caro, reforçando o peso do déficit habitacional e do desejo das famílias de sair do aluguel.
Recordes em vendas, lançamentos e valor movimentado
No fechamento de 2025, o volume de vendas atingiu um novo patamar de 426.260 unidades comercializadas no ano, alta de 5,4% sobre 2024, com destaque para o desempenho do 4º trimestre, que somou 109.439 unidades vendidas maior volume já observado para um trimestre.
Do lado da oferta, os lançamentos também bateram recorde, totalizando 453.005 unidades lançadas em 2025, avanço de 10,6% na comparação anual. Em valores, o VGV (Valor Geral de Vendas) alcançou R$ 264,2 bilhões no ano (+3,5%), enquanto o VGL (Valor Geral Lançado) somou R$ 292,3 bilhões.
Mesmo com alta do estoque, o escoamento permaneceu em patamar considerado saudável: o tempo estimado para venda do estoque ficou em 9,8 meses no 4º tri, ainda abaixo de 1 ano indicador importante para leitura de liquidez do mercado.
Minha Casa, Minha Vida ganha peso e sustenta o ritmo
A CBIC aponta que o Minha Casa, Minha Vida (MCMV) teve papel central para sustentar o desempenho em 2025. No balanço anual do programa, foram 224.842 unidades lançadas e 196.876 vendidas, com recordes no 4º trimestre e presença forte no Sudeste.
Essa expansão do MCMV ajuda a explicar por que o setor conseguiu avançar mesmo com juros altos: parte relevante da demanda está ligada a necessidade habitacional, políticas de estímulo e faixas de renda que buscam condições específicas de financiamento e oferta.
A demanda segue “ligada”: intenção de compra reforça 2026 e próximos ciclos
Se 2025 terminou com recordes, os sinais para a frente continuam positivos. A CBIC registra que 50% dos entrevistados indicaram intenção de compra de imóvel nos próximos 24 meses (com parcela significativa ainda sem iniciar a busca ativa).
Em paralelo, o Datastore Monitor (4º trimestre de 2025) aponta uma base de 12.604.433 famílias com intenção de adquirir um imóvel nos próximos 24 meses um número que reforça a leitura de demanda robusta e recorrente.
O que o cruzamento desses dados indica
A combinação entre resultado recorde em 2025 e intenção elevada de compra sugere que o mercado não foi impulsionado apenas por fatores pontuais. Há uma base de demanda consistente sustentando as projeções, especialmente em segmentos com maior aderência ao bolso do comprador e em regiões com geração de emprego e infraestrutura.
Além disso, o cenário de crédito caro tende a “selecionar” projetos mais bem localizados, com produto mais ajustado e precificação correta o que pode favorecer empresas e empreendimentos com estratégia clara de público, mix e distribuição.
Conclusão
O fechamento de 2025 confirma um ciclo de força do mercado imobiliário brasileiro: vendas e lançamentos em níveis históricos, liquidez relativamente saudável e uma demanda potencial elevada para os próximos anos. Mesmo diante de juros altos, o setor demonstra resiliência sustentada por fatores estruturais como crescimento urbano, déficit habitacional e o desejo das famílias de conquistar a casa própria.
Esse cenário também favorece segmentos específicos do mercado imobiliário, como o de Flats e residenciais com serviços. Com a demanda por moradia nas grandes cidades se mantendo forte e o perfil do consumidor cada vez mais voltado para praticidade e localização estratégica, os Flats surgem como uma alternativa interessante tanto para quem busca morar quanto para investidores em busca de renda recorrente.
Para investidores, o crescimento do setor imobiliário aliado à procura por unidades compactas e bem localizadas tende a ampliar as oportunidades nesse tipo de ativo, que combina flexibilidade de locação, potencial de valorização patrimonial e maior liquidez em mercados urbanos dinâmicos como São Paulo e outras capitais brasileiras.
Por Jorge Urdaneta – Analista de Marketing.