Hotelaria avança rumo a 2026 com foco em preço e eficiência
À medida que o setor global de hospitalidade enfrenta transformações profundas no comportamento dos viajantes e nos modelos operacionais, a hotelaria brasileira entra em uma fase decisiva. Com o encerramento de 2025 se aproximando, as atenções se voltam para 2026, um ano que promete novos desafios e oportunidades estratégicas especialmente para quem busca preservar margens e competitividade em um mercado cada vez mais sofisticado.
Segundo Ricardo Mader, managing director da JLL, o próximo ano será impactado por eventos de grande porte, como eleições e Copa do Mundo, que tendem a gerar oscilações nas taxas de ocupação. Ainda assim, o executivo reforça que a disciplina tarifária seguirá como prioridade para manter a saúde financeira dos empreendimentos.
Além disso, Mader destaca que iniciativas de redução de despesas em áreas como energia e mão de obra continuam a sustentar bons resultados. A pressão sobre a contratação, por outro lado, vem levando a operações mais enxutas, tendência que começou na pandemia e se consolidou com o aumento da automação e da eficiência operacional.
“Há um desequilíbrio entre oferta e demanda muita demanda e pouca oferta. Isso colabora significativamente para elevar a performance dos hotéis existentes e deve continuar nos próximos anos, devido ao alto custo de terrenos e das taxas de juros, que inviabilizam novos projetos”, explica o executivo.
Retrospecto positivo e bases sólidas para o crescimento
O ano de 2024 marcou um ponto de virada para o setor. De acordo com o estudo Hotelaria em Números, realizado pela JLL em parceria com o FOHB e a Resorts Brasil, o país se reposicionou entre os mercados mais competitivos do mundo, com alta de 16% no RevPAR (receita por quarto disponível).
O desempenho foi impulsionado pela combinação entre aumento da tarifa média e estabilização da ocupação em níveis elevados. As diárias médias avançaram 7,5%, alcançando R$ 1,3 mil, patamar histórico para o mercado nacional.
Nos hotéis premium, o TRevPAR (receita total por quarto) cresceu 15,4%, com destaque para a ampliação das receitas não apenas de hospedagem, mas também de alimentos, bebidas e eventos. As margens operacionais saltaram de 28,5% para 40,1%, impulsionadas por tecnologia, automação e controle de custos.
O segmento intermediário foi o que mais se valorizou crescimento de 23% nas tarifas, reflexo da migração de hóspedes vindos de categorias econômicas e do fortalecimento do público corporativo e familiar. Já os resorts consolidaram o melhor ciclo do período: TRevPAR +32,7% e margem operacional de 43,5%, impulsionados pelo modelo all-inclusive e pela retomada das viagens de lazer.
Tecnologia, eficiência e experiência como pilares de 2026
O avanço tecnológico segue como um dos principais motores da hotelaria nacional. A adoção de sistemas de Revenue Management (RM), a automação de processos e a modernização das operações de Alimentos & Bebidas (A&B) elevaram a maturidade do setor a outro patamar.
Para 2026, a disciplina tarifária continuará sendo o grande diferencial competitivo. “O segredo será manter a política de diárias, principalmente durante a semana, e não ceder à pressão da baixa ocupação”, afirma Mader, em entrevista ao Hotelier News.
Outro destaque será a expansão do A&B como fonte de receita. Os hotéis vêm investindo em bares e restaurantes com identidade própria, muitas vezes assinados por chefs e marcas renomadas, criando experiências únicas que aumentam o faturamento e reforçam o posicionamento premium dos empreendimentos.
Além disso, o fluxo crescente de turistas estrangeiros que vem se distribuindo por novos destinos brasileiros deve ajudar a equilibrar eventuais oscilações típicas de anos eleitorais e esportivos.
Perspectiva otimista e oportunidades para o mercado de Flats
O fortalecimento da hotelaria tradicional tem reflexos diretos no mercado de Flats e empreendimentos de hospedagem híbridos. Com a ocupação em alta e o cenário de oferta limitada, investimentos em Flats ganham destaque como alternativa segura e rentável, especialmente em capitais como São Paulo.
O formato combina flexibilidade operacional, rentabilidade superior ao aluguel tradicional e potencial de valorização imobiliária alinhando-se à busca por eficiência e diversificação no portfólio de investidores.
Com 2026 despontando no horizonte, a hotelaria brasileira segue firme na busca por eficiência, inovação e consolidação tarifária, pavimentando o caminho para um novo ciclo de prosperidade e abrindo espaço para oportunidades sólidas também no mercado de Flats e residenciais com serviços.
Por Jorge Urdaneta – Analista de Marketing.