Cenário da hotelaria nacional em 2025
Nos primeiros quatro meses de 2025, o setor de hotelaria no Brasil demonstrou resiliência e capacidade de adaptação diante de um cenário econômico que ainda apresenta desafios. Em abril, os resultados superaram expectativas em alguns indicadores, com especial destaque para diária média e RevPar, que cresceram significativamente em comparação ao mesmo período do ano anterior.
Esse desempenho está diretamente ligado à presença de feriados prolongados, como a Sexta-feira Santa e Tiradentes, que impulsionaram o turismo doméstico, especialmente em destinos de lazer. A seguir, vamos detalhar os principais indicadores nacionais, regionais e por categoria de hotéis, além de uma análise estratégica do que esses números significam para investidores, operadores hoteleiros e o mercado de locação por temporada.
Dados Nacionais: Diária média e RevPar em destaque
Apesar de a taxa de ocupação ter tido um crescimento modesto (+0,8%), atingindo 61,6%, os hotéis brasileiros conseguiram extrair valor dos feriados prolongados. O que mais impressiona é o aumento da diária média, que cresceu 15,7% em relação a abril de 2024, chegando a R$ 454,43. Isso mostra que os hóspedes estiveram dispostos a pagar mais por conforto, localização e estrutura durante os períodos de alta demanda.
Já o RevPar (receita por quarto disponível), considerado um dos principais indicadores de rentabilidade do setor, teve um crescimento de 16,7%, atingindo R$ 279,91. Esse crescimento expressivo mostra que os hotéis souberam combinar uma política de preços adequada com uma ocupação satisfatória.
Panorama Regional: onde os feriados geraram mais impacto
Analisando por regiões, é possível perceber que o impacto dos feriados foi mais sentido no Nordeste, Sul e Sudeste, regiões que concentram os principais destinos turísticos do país.
Ocupação:
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Nordeste: +6,8%
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Sul: +6,2%
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Sudeste: +0,4%
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Norte: -7,4%
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Centro-Oeste: -8,5%
Diária Média:
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Nordeste: +27,5%
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Sul: +17,4%
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Sudeste: +15,4%
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Norte: +12%
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Centro-Oeste: +2%
RevPar:

💡 Curiosidade: São Paulo se destaca, Mesmo em períodos com menor volume de turistas, São Paulo mantém um desempenho sólido graças ao perfil qualificado de seus visitantes. Diferente de destinos que dependem exclusivamente da sazonalidade, a capital paulista atrai executivos, profissionais de saúde, estudantes e turistas corporativos durante todo o ano.
Performance por categoria de hotel: Upscale domina
A classificação dos hotéis também revela comportamentos importantes do consumidor. Enquanto hotéis econômicos registraram queda na ocupação, as categorias upscale e midscale cresceram, indicando uma maior procura por serviços diferenciados.
Ocupação:
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Upscale: +6,8%
-
Midscale: +1,9%
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Econômico: -2%
Diária Média:
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Midscale: +15,3%
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Econômico: +13,2%
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Upscale: +12,1%
RevPar:
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Upscale: +19,7%
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Midscale: +17,5%
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Econômico: +10,9%
🎯 Insight para investidores: Os hotéis de categoria superior, mesmo com tarifas mais elevadas, seguem entregando melhores resultados. Isso os torna opções mais seguras e lucrativas para quem investe em ativos hoteleiros.
Capitais em Evidência: Rio, Salvador e Floripa lideram
Entre as cidades analisadas, o Rio de Janeiro foi o grande destaque. A ocupação saltou de 59,47% em abril de 2024 para 78,93% em 2025, um crescimento de quase 20 pontos percentuais. Esse resultado se deve à combinação de eventos, clima favorável e os dois feriados prolongados que estimularam o turismo interno.
Salvador também surpreendeu, com um salto na ocupação de 64,48% para 73,75% e aumento expressivo na diária média (+48,2%). Já Florianópolis teve crescimento mais tímido na ocupação (+3,9%), mas aumentou seu ticket médio em 23,8%, reforçando a valorização de destinos de praia no outono.
Acumulado do ano: tendência de alta continua
De janeiro a abril de 2025, a performance geral da hotelaria mostra uma tendência clara de recuperação e crescimento sustentável:

Esses dados indicam que, apesar das incertezas econômicas e do impacto da inflação no bolso do consumidor, o setor hoteleiro soube ajustar suas estratégias, atrair novos públicos e manter a lucratividade.
Conclusão: o que os dados revelam para investidores
O desempenho da hotelaria em abril de 2025 reforça uma lição importante para operadores, administradoras e investidores em flats e hotéis: rentabilidade não depende apenas da ocupação. Uma boa gestão de precificação, estratégias sazonais bem planejadas e atenção ao comportamento do consumidor são capazes de gerar retornos sólidos mesmo com variações no volume de hóspedes.
Investir em imóveis hoteleiros em cidades turísticas ou de negócios, com bons índices de diária média e RevPar, pode ser uma decisão acertada. Para quem atua no mercado de locação por temporada, especialmente em modelos como flat service, os dados de abril reforçam o poder das datas comemorativas e dos feriados como aceleradores de receita.
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Escrito por Jorge Urdaneta – Analista de Marketing.